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En Bora – Além das Margens Amazônicas

 

A floresta é muito mais do que um aglomerado verde. Ela é composta por uma rica biodiversidade e formada por uma complexa arena cosmopolítica onde entre todos esses seres, o principal personagem é o Xamã. O Xamã vê. Vê além do alcance. Líder espiritual com capacidade de acessar o mundo extra físico, curar e manter contato com as forças da natureza. Os mais profundos segredos da floresta estão sob seus cuidados. Considerado um historiador entre os seus, pois detêm o conhecimento ancestral que é passado de geração em geração através de histórias, o Xamã é um sábio. Mais histórias significa mais poder. Mestre da floresta, tem a chave de todos os reinos. O Xamã se comunica com os espíritos da mata. Com os antepassados. Com o futuro. Mas o Xamã é, antes de tudo, um homem. E homens sucumbem.

 

Aladino Mimico é Xamã. É índio. É Bora, seu grupo étnico. Vive em Pebas, uma vila remota no coração da Floresta Amazônica. Hoje, Aladino é um exilado em sua própria terra. Os Boras mais jovens deixam suas aldeias para as cidades, inclusive dois de seus filhos já seguiram esse caminho, reduzindo cada vez mais uma população que já é pequena. Os que ficam precisam lidar com as questões de um mundo globalizado e a cada dia perdem ainda mais o interesse pela cultura local. Há mineração ilegal, extração de madeira, incêndios criminais, sem falar nas questões sociais como depressão, alcoolismo, mortalidade infantil... e a coca. Uma das plantas mais importantes para os xamãs Bora, uma tradição milenar, foi maculada pelos novos tempos.

 

O uso das folhas de coca por comunidades tradicionais ultrapassou os rituais religiosos, símbolos ou dogmas. A coca, que também é o principal ingrediente da cocaína, hoje atrai muitos locais para trabalhar na produção e no tráfico, sendo a única forma de sustento na região. O tradicional se transformou. E virou um grande problema.

 

Ííbíí pííve tiná ume, a tradução de Bora para “a origem da coca”, é a história mais importante de sua cultura. O primeiro homem a andar na terra foi um Bora. E o Deus de Toda a Criação disse a este primeiro homem que, para viver neste mundo, ele deveria aprender a usar a coca e deu-lhe instruções para cultivar e consumir a planta.

 

As instruções vieram com um aviso terrível: consumir a coca permitiria ao Bora se comunicar diretamente com o Abuelo, o Deus de Toda a Criação, mas o mau uso da planta sagrada traria uma maldição mortal. Quem abusa da planta é incapaz de parar... até morrer.

 

Aladino, que consome grandes quantidades de coca, tabaco e álcool para se comunicar com os espíritos que orientam sua cura, não resistiu. Aladino é Xamã. Aladino é homem. Aladino é sagrado. Aladino é profano. E uma planta que deveria dominar, acabou por dominá-lo. Quem excede o uso da coca, é amaldiçoado por ela.

 

Sob maldição, ele conversou com a morte. As curas da floresta não foram suficientes. Precisou de hospital. Do homem branco. Da tecnologia. Precisou sair da floresta para se salvar. Depois de se envolver com a morte e a medicina ocidental, Aladino acredita que se tornou o aviso e o personagem em sua própria história. A imensa cicatriz que carrega na barriga, não o deixará esquecer. E agora, de volta, em busca de autodescoberta, Aladino está na jornada mais perigosa de sua vida. Agora que já não tem a confiança dos locais em seus poderes, dado esse imbróglio místico, todas as suas certezas foram colocadas à prova. O isolamento, inclusive de seus próximos e familiares parece ser a chave para a reconexão com o todo.

 

O último Xamã está em busca de redenção.

En Bora – Beyond Amazon’s Riverbanks

The forest is much more than a cluster of green canopies. It is made of a rich biodiversity, shaped by a complex cosmopolitical arena of living beings…and at the core of it all lays its protagonist: the Shaman. The Shaman sees. He sees beyond sight. He is a spiritual leader who can reach far into the realm of the extra-physical. By harnessing his intimate connection with the forces of nature, The Shaman can heal others of their ailments. The forest’s best-hidden secrets are under his care. The Shaman is a historian among his people, for he holds the ancestral knowledge passed down from generation to generation by means of folk tales. Wise is the Shaman, for more tales mean more power. Master of the forest, it is he who holds the key to all realms. The Shaman speaks with the spirits that inhabit the woods; with his forefathers; with the future. But first and foremost, the Shaman is a man. And men fall.

Aladino Mimico is a Shaman; a Native South American living in a world that knows no such labels. Rather, he is a Bora, which is what his ethnic group is called. He lives in Pebas, a remote village in the heart of the Amazon Rainforest. Today, Aladino lives exiled in his own land. Younger Bora leave their villages seeking a more promising, modern life in the city. Two of his own children have taken such path, thus dwindling the numbers of an already small population. Those who stay in Pebas have to face the issues of an ever-globalized world. They watch as their way of life deteriorates, slowly losing faith and interest in their local culture. Illegal mining, timber harvesting, and arson play a role, as well as social issues such as depression, alcoholism, child mortality… and coca: one of the most important plants to the Bora Shamans.

Coca leaves, used by indigenous people for over a millennium, has been tarnished by modern times. While Shamans have upheld the traditions for over a millennium, the leaves are now being used beyond religious rituals, symbols or dogmas: Coca is the main ingredient for cocaine. It has an alluring power over local people to harvest and traffic it and, hand-in-hand with the slow death of their cultural identity, coca has become a sole means of survival, the only way left for them to make a living. Tradition has changed. For few now live who respect it.

Ííbíí pííve tiná ume is the Bora expression for “the origin of coca”. This very expression tells the most important story of Bora’s culture. The first man to ever walk the Earth was a Bora. Abuelo, The God of All Creation, told the First Man that if he was to live in this world, he had to learn how to use coca. God then instructed and guided him on how to plant, harvest and consume the leaf.

God’s guidance came with a grievous warning: he who consumed the coca leaf would have the power to speak directly to Abuelo, however a deadly curse would befall he who consumed it without respect. Abuse the plant and be forever trapped in its grasp. The coca will only let go once life has vanished from his body.

Aladino speaks to the forest spirits who guide him how to heal others. To do so, he consumes great amounts of coca, tobacco, and alcohol. Aladino is a Shaman. But Aladino is also a man. He is both sacred and profane. The leaf that he should rule over has ended up ruling over him. As the ancient fable warns, he who abuses the coca is damned by it.

Under coca’s curse, Aladino had a conversation with Death. His ailments were far too powerful to be washed away by the forest’s healing power. He had to go to a hospital. He needed the white man. Technology. He had to leave the forest to save himself. After dancing with Death and with Western Medicine, Aladino believes he has become the character of his own cautionary tale, a warning to his people. The giant scar he now carries in his belly won’t ever let him forget it. Aladino has survived his ordeal and is now seeking self-discovery. Thus, he sets out on a quest - the most dangerous one he has ever faced. The locals no longer trust in him and his healing powers. The mystical entanglement has put every certainty he has ever known to the test. Isolation. From his peers. From his family. From his people. On borrowed time, alone in a dying world, isolation could spell the end for Aladino. But it could also be the key to reconnect with everything.

The Last Shaman seeks redemption.